Muitos profissionais se rendem à competitividade do mercado ou à insistência de seus clientes e não cobram por todas as etapas do projeto de Arquitetura ou de Interiores. Cobrar pelo estudo preliminar, ante-projeto e projeto executivo, é como pagar pela consulta de um médico ou de um advogado. A importância de se cobrar por todas as etapas do projeto foi um dos assuntos mais debatidos por Arquitetos no Fórum do ADFórum.
Para Paulo Schwartzmann, o cliente se acostuma com a maioria dos profissionais que não cobram pelo projeto e passa a conduzir a negociação. “Na medida que o mercado passa a cobrar pelo projeto, isso passa a ser uma prática usual além de valorizar a classe”.
“Acredito que a maior dificuldade da profissão é fazer o público leigo entender que o estudo preliminar é, de fato, o produto final de uma etapa de trabalho, que demanda custo de equipe, material e tempo”, desabafa Bruno César do Amaral. Explicar ao cliente leigo o que é o estudo preliminar, qual o objetivo, e qual o produto que ele receberá, nessa etapa, qual o prazo de entrega, quais as multas por atraso, forma de apresentação, etc, é uma solução dada por Bruno.
Rosana Gregoruci, diz que o estudo preliminar é uma maneira do cliente ter conhecimento do que ele poderá ou não comprar. “Até entendo que nessa etapa devemos nos arriscar um pouco, apresentando, sem compromisso, uma proposta boa dentro do perfil do cliente”.
“Infelizmente a Arquitetura contradiz São Tomé, é CRER para VER e não ao contrário. Se o cliente quer testar o nível do profissional que vai contratar, sinto muito, ele que olhe os trabalhos anteriores, que se informe com seus clientes, ou pelo menos peça para ver o seu portfólio”, se opõe Alexandre Menezes.
Wagner Pismel lembra de alguns gastos que correspondem pelo custo fixo de qualquer etapa do trabalho. “E quem paga as horas de computador? E o custo de cartuchos e papéis? E a nossa biblioteca pessoal, adquirida volume a volume com livros importados e “caros”, quem paga? E os anos de investimento em estudo, viagens, etc? E mais luz, telefone, canetas, lápis, e tudo mais que precisamos para projetar?”.
“Não podemos culpar o mercado por ser agressivo, temos que nos adaptar, colocar na conta dos trabalhos que conseguimos o quanto devemos separar para investir em contratos de risco, sermos arquitetos e acima de tudo administradores”, finaliza Fábio Warth de Siqueira.
Percebemos, por meio do debate entre os Arquitetos, que cobrar pelo projeto é consolidar a intervenção do profissional, é valorizar o mercado de Arquitetura e Design de Interiores.
Fonte: ADForum
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